terça-feira, 24 de abril de 2012

Discurso de Martin Luther King - Eu tive um sonho

Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
 "Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior
demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
 Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a
Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de
esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça.
Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos
depois, o Negro ainda não é livre.
 Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação
e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de
prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade
americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para
dramatizar sua vergonhosa condição.
 De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os
arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo
americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os
homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis
de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou
esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo
negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
 Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a
acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar
este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a
segurança da justiça.
 Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento
para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
 Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
 Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol
da justiça racial.
 Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a
pedra sólida da fraternidade
 Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
 Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do
legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de
liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam
que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios
de sempre.
 Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao
palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser
culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da
xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de
dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em
violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião
da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à
comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas
brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui
hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber
que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos
caminhar só.
 E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à
frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos
direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
 Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da
brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das
cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um
Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não
estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo
como águas de uma poderosa correnteza.
 Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns
de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas
onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e
pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem
trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem
para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana,
voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma
maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
 Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e
amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho
americano.
 Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de
sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens
são criados iguais.
 Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes
de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa
da fraternidade.
 Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira
com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um
oásis de liberdade e justiça.
 Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação
onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um
sonho hoje!
 Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu
governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no
Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e
meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
 Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão
abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a
glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
 Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós
poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de
fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir
encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será
o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo
significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
 E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós
deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós
poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens
brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras
do velho spiritual negro:
 "Livre afinal, livre afinal.
 Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Teologia Raul Seixas e o Evangelho “maluco beleza”

É fato conhecido que um dos pioneiros do rock nacional, que fez muito sucesso há cerca de três décadas, foi o controvertido Raul Seixas. Numa mistura de protesto e busca por respostas para a vida, o conhecido “Raulzito” causou a mais diversificada reação em todo o país.

Pouca gente sabe que o falecido roqueiro conheceu o Evangelho de Cristo. Chegou até mesmo a ter um filho com sua primeira companheira, que era filha de um missionário norte-americano. Todavia, a perspectiva panteísta e agnóstica de Raul Seixas mostrou que o famoso cantor não abriu o coração para a mensagem do Evangelho. Sua morte não deixa dúvidas sobre isso!

Por incrível que pareça, se Raul Seixas não se deixou influenciar pelas boas novas de Jesus, parece-me que suas idéias estão cada vez mais presentes na realidade evangélica contemporânea. Será possível que estamos caminhando para uma “teologia do Raul Seixas”? Será que teremos um evangelho “maluco beleza”? O amigo leitor pode dar sua própria opinião.

Enquanto as Escrituras deixam claro que existe apenas um Deus verdadeiro, que está acima de sua criação (Is 44.6; Rm 1.18-21), a perspectiva panteísta aparece expressa na música “Gita”, de Raul. Ele afirmava: 

“Eu sou a luz das estrelas / 
A mãe, o pai e o avô / 
O filho que ainda não veio / 
O início, o fim e o meio.”

Este enfoque tenta tirar de Deus a glória que só Ele tem e merece. De modo geral, o panteísmo que deifica a natureza acaba definindo como categoria suprema o fluxo do movimento. Heráclito sorriria no túmulo. Tais idéias, muito presentes nos filmes norte-americanos mais populares, parecem emergir do conceito de que Deus é uma energia, “um fluir” (unção?). Em certos redutos evangélicos já se pode perceber que Deus se tornou “um poder manipulável” por “comandos determinadores”. Além disso, o enfoque da teologia do processo, que já nos influencia com todos os seus desdobramentos específicos, também diminui Deus e o coloca sob o domínio do “fluxo do tempo”, sugerindo que Ele é apenas nosso sócio na construção da história.

METAMORFOSE AMBULANTE

A idéia da supremacia do fluxo do tempo desemboca na rejeição de outras categorias fixas. A única categoria é o próprio tempo, o novo senhor absoluto. Com esse pressuposto, já não podemos ter teologia e ética definidas e claras. Embora a Bíblia seja um livro de orientações muito cristalinas sobre Deus, a salvação e o propósito da vida (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.19-21), para muitos evangélicos, a teologia “maluco beleza” é preferível.

Como diria Raul: 

“Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante / 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” 


Se uma opinião for antiga, deve ser rejeitada! Há uma crise doutrinária e teológica em boa parte do meio evangélico. Muitas pessoas adotam hoje idéias liberais, místicas e extremistas sem a devida avaliação. Nesse caso, não importa sua fundamentação teológica, histórica e lógica. Viva a metamorfose!

Tal sensação de indefinição, presente no pensamento do roqueiro tupiniquim, ajudou a formar seu perfil estranho, controvertido e até mesmo bizarro. Não é que um grupo significativo de evangélicos também já tem se aproximado do esdrúxulo?! Há um certo desprezo pela reflexão, pela teologia, e o crescimento de práticas risíveis e simplesmente inacreditáveis. Será que podemos ouvir o eco da música de Raul ao contemplar grande parte do chamado meio evangélico atual? Será que estamos diante do

 “Contemplando a minha maluquez / 
Misturada com minha lucidez”? 

Até onde vai a nossa “maluquez”? Será que voltaremos à lucidez? Será que muitas reuniões religiosas de hoje estão nos deixando, “com certeza, maluco beleza”? Espero que essa sensação seja um exagero! Todavia, temo que não seja!

Não faz tanto tempo assim, os cristãos evangélicos entendiam que um culto de adoração a Deus tinha, de fato, Deus como o centro do culto. Muitos cânticos tinham letra elaborada, teologia saudável e enfatizavam os atributos e os atos de Deus. No entanto, em algumas reuniões dominicais de hoje, temo que o foco esteja sendo mudado. Novas canções falam de um amor quase romântico e indefinido, divertem a massa, exaltam unção, montanhas, Jerusalém, guerra etc. O conceito de dedicar o domingo para uma diversão sem propósito e finalidade bíblica é manifesta na teologia do Raul Seixas. Como ele mesmo dizia: 

“Eu devia estar contente pelo Senhor ter me concedido o domingo
 para ir ao jardim zoológico dar pipocas aos macacos”. 

Será que já podemos observar “uma fauna evangélica com suas macaquices litúrgicas”? Tomara que não! Espero que tudo que escrevo não passe de uma análise exagerada! Todavia, temo que não.

Como todo enfoque teológico, o pensamento do “teólogo-músico pós-ortodoxo” nacional, também possui as suas decorrências de ordem prática. Não há como fugir da realidade. A forma de pensar e ver o mundo influencia e determina a vida prática de qualquer pessoa. A verdade é que se adotarmos uma base panteísta, um pensamento relativista, uma ética indefinida e práticas místicas emocionalistas sem conteúdo, não chegaremos a lugar nenhum. E não é que o “grande teólogo-roqueiro” já sabia disso! Quem pode lembrar de sua “perspectiva teleológica” que determinou seu trágico fim?

 “Este caminho que eu mesmo escolhi /
 É tão fácil seguir/ Por não ter onde ir.”

Se a igreja evangélica brasileira desvalorizar a doutrina bíblica, desprezar a teologia, deixar de lado a ética e afundar-se no misticismo e nas novidades ideológicas frágeis, logo ela descobrirá que esse é um caminho “tão fácil de seguir”. O grande problema é que no final das contas “não teremos para onde ir”.

Mais do que nunca, precisamos desesperadamente voltar nossa atenção para as Escrituras Sagradas, com o verdadeiro desejo de obedecer a Deus e à sua verdade. Que Deus nos abençoe.


Luiz Sayão é pastor batista e hebraísta e produtor da série Rota 66. Visite e conheça!


Fonte: http://www.genizahvirtual.com

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Abbá Pai e a Ignorância


E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao coração de vocês, e ele clama: “Aba, Pai”.
Gálatas 4.6
O movimento gospel dos últimos anos tem formatado uma geração que chora nos momentos de louvor, que chama de Deus de papai e que não lê mais a Bíblia. Tudo tão fácil, tão diluído, tão pobre. Mas não é sobre o descaso com a Bíblia que quero pensar com vocês, é sobre chamar de Deus de Abbá – papai querido, afinal, chamar Deus de papai é algo muito sério, pelo menos foi para Jesus. 
Essa declaração sai muito fácil de nossos lábios, e acabamos esquecendo as dimensões dela. É no falar de Jesus Cristo que Deus é chamado de ABBÁ pela primeira vez, contudo, ele sabia o que e com quem estava falando. Jesus não estava seguindo uma tendência, pelo contrário, estava abrindo o caminho da oração e do louvor consciente.
Para entender as declarações de Jesus é importante conhecer o ambiente histórico-cultural de sua época. Para termos uma ideia, para os povos antigos, a palavra “pai” aplicada para a divindade, evocava algo semelhante ao que a palavra mãe significa para nós. No Antigo Testamento, Deus é chamado de Pai apenas catorze vezes, mas cada uma delas é muito importante. Quando Deus é chamado de pai ele é honrado como criador[1], ou seja, tinha-se a consciência de que Ele é o Senhor que merece obediência e o Pai que é misericordioso.
Israel acreditava que a paternidade divina era exclusividade sua[2], contudo, é nos profetas que o conceito de Deus como Pai adquire todo o seu sentido no Antigo Testamento. Através dos profetas somos informados que a paternidade divina geralmente é correspondida com infidelidade da parte de Israel. É a ingratidão diante da misericórdia.[3]
O judaísmo palestinense mantém o mesmo significado do AT, é sóbrio em falar de Deus como Pai, onde seu amor e sua misericórdia são a palavra final, contudo, nos tempos de Jesus, não se tem registro de um indivíduo dirigindo-se a Deus como “meu Pai”, era sempre uma invocação coletiva: “Nosso Pai, Nosso Rei”.
“Abbá” nas orações de Jesus.
Foi isso que Jesus fez, dirigiu-se a Deus como “meu Pai”[4], não foi somente isso que  impressionou seus discípulos, o que chocou mesmo foi o fato de Jesus utilizar a palavra aramaica Abbá (o acento está na última sílaba), visto esse termo fazer parte do balbucio infantil. Mas você pode estar se perguntado, o que isso tem de mais? É que referir-se a Deus como Abbá para o judaísmo palestinense era desrespeitoso. Portanto, invocar a Deus com um nome tão familiar era impensável.
Jesus abre o caminho para a intimidade com Deus. Foi algo único o fato de “Jesus ter tomado essa iniciativa e falar a Deus como uma criança fala a seu pai, com simplicidade, intimidade e sem temor. Portanto, não há dúvida alguma de que a palavra Abbá, utilizada por Jesus para dirigir-se a Deus, revela o próprio fundamento de sua comunhão com ele.”[5]
As orações de Jesus influenciaram a comunidade cristã, tornando-se comum invocar a Deus como Abbá, Pai (Abbá, ho patér), e isso é ensinado pelo próprio Espírito Santo.[6] Portanto, somos autorizados a chamar Deus de papai: “As palavras de Jesus expressam simplesmente uma experiência cotidiana: só um pai e um filho é que se conhecem mutuamente”.[7]
Chamar Deus de Abbá é para quem vive o cotidiano com Ele, e não quem aprendeu o sucesso gospel do momento. Chamar Deus de Abbá é mais que friozinho na barriga e mãos levantadas, é compromisso e cruz!

[1] Dt 32.6; Ml 2.10.[2] Dt. 14.1s.[3] Ml 1.6; Jr 3.19s; Is 64.7.
[4] Todos os evangelhos são unânimes nessa afirmação. Somente no grito na cruz que Jesus não se serve do termo Abbá (Mc 15.34) [5] JEREMIAS, Joachim. Op. Cit. p. 25. [6] Gl 4.6. [7] JEREMIAS, Joachim. Op. Cit. p. 31.

Por Rodrigo Bibo de Aquino    http://bibotalk.com.br

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mantendo o coração puro

Conselhos de Paulo a um jovem pastor

O objetivo desta instrução é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera.1 Timoteo: 1;5

   Pelo menos uma vez por ano decido ler as cartas de Paulo a Timóteo colocando a minha vida como alvo dos conselhos paulinos. O que Paulo está dizendo a Timóteo é que continue trabalhando em prol da verdade. Não bastava somente estar lá, ou estar no ministério, deveria ter posicionamentos, combater de forma veemente todos os conteúdos que não traziam os valores do evangelho.
   A integridade ministerial é resultado de um coração puro, uma boa consciência e uma fé sincera. Na escritura, o coração é o centro e a fonte da totalidade da atividade mental e moral do homem; se ali faltar pureza, obviamente não pode irradiar o amor cristão. Coração é o centro executivo da vida. Nele as decisões são tomadas e as escolhas são feitas para o indivíduo em sua totalidade. Um coração cuidadosamente cultivado preverá, evitará ou transformará a maioria das situações dolorosas. Líderes que tem um coração bem cuidado são capazes de reagir de forma boa e justa diante das situações da vida.
   Um jovem pastor precisa ter uma consciência boa. O que seria isso? Deve ser livre de auto-repreensão e orientada pelo Espírito Santo. A graça deve nos invadir de tal forma que a nossa mente comece a discernir entre certo e errado.
   Consciência é ação combinada da mente com os sentimentos que diante de certos objetos percebe o certo e o errado. Paulo alerta sobre o perigo de rejeitar a boa consciência – “mantendo a fé e a boa consciência que alguns rejeitaram e, por isso, naufragaram na fé” (I Timóteo 1:19); as conseqüências de cauterizá-la – “tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada” (I Timóteo 4:2).
   Consciência é o judiciário moral da alma. “Consciência é um eco da voz de Deus. Consciência é a filha da voz de Deus” (Wordsworth). Consciência é o grande farol que Deus colocou em nós. Paulo insiste no relacionamento entre crença sadia e consciência livre de impurezas. Pedro diz que uma consciência íntegra está fundamentada na ressurreição de Cristo – “e isso é representado pelo batismo que agora também salva vocês — não a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso de uma boa consciência diante de Deus — por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (I Pedro 3:21).
   Diante desses conselhos o que podemos pensar? Primeiro, é que somos tentados por algumas realidades que nos levam a pensar – será que vale a pena mantermos o coração puro? Não seria mais fácil se “profissionalizássemos” o nosso ministério? Segundo, começamos a correr o risco de estar “perdendo a alma”, não no sentido escatológico, mas, “perdendo a alma” aqui e agora, começamos a perder sensibilidade, a paixão, o desejo de viver para a igreja, uma sensação terrível de frieza, ficamos mórbidos, perdermos as lágrimas, aliado a tudo isso, está o fato que algumas vezes a igreja não irá corresponder todo amor e dedicação do seu jovem líder.
   Diante disso, vale ouvir os conselhos de Paulo para que haja sanidade pessoal e ministerial para a longa jornada: Mantenha o coração puro, uma boa consciência, e uma fé sincera. O que fica evidente é que não pode haver amor, integridade e boa consciência sem temor a Deus.


Fonte: sepal.org.br /Sebastião Filho

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Porque os jovens cristãos deixam a Igreja? Saiba seis motivos.

Metade dos jovens cristãos deixam de freqüentar suas igrejas quando chegam na adolescência.
Os motivos para esse fenômeno foram alvo de um estudo que foi divulgado pelo Grupo Barna, aponta as seis principais razões que afastam esses jovens de suas igrejas.
O estudo foi feito a partir de entrevistas ao longo de cinco anos com adolescentes, jovens adultos, jovens pastores, pastores titulares e pais. O primeiro fator que afasta os jovens é o cuidado excessivo da igreja com as questões cotidianas. 25% dos entrevistados com idade entre 18 a 29 anos afirmaram que “os cristãos demonizam tudo fora da igreja. 22% também demonstraram incômodos com a postura da igreja em relação a não se preocupar com os problemas do mundo e18% afirmaram que as igrejas acabam desviando-se do seu objetivo ao censurar conteúdos de entretenimento, como por exemplo, filmes, música e jogos de vídeo.
Muitos jovens adultos reclamaram também da superficialidade com que as igrejas os conduziram em suas experiências no cristianismo. Afirmaram que as experiências vividas nas igrejas não eram profundas, e não os motivava para assumir a mensagem cristã como um estilo de vida. 33% dos entrevistados disseram que em seu ponto de vista, a “a igreja é chata.” A ausência de experiências com Deus no dia a dia foi citada por 20% dos entrevistados.
Esse estudo descobriu que muitos jovens discordam da forma como as igrejas se posicionam sobre assuntos ligados à ciência. A postura da igreja parece pré-disposta a ser contrária às descobertas científicas na visão deles. A prepotência incomoda mais de 30% dos entrevistados e esses afirmaram que “os cristãos são muito confiantes de que sabem todas as respostas”. Alguns deles chegaram a dizer que para eles, “o cristianismo é anti-ciência”.
Como não poderia deixar de constar, o assunto sexo é uma dessas questões que afastam os jovens, porque na visão deles, as igrejas são displicentes. 17% dos jovens que participaram do estudo afirmaram que “quando cometem erros sentem-se julgados pela igreja por causa deles”. 20% dos jovens adultos afirmaram que a metodologia e ensinamento das Igrejas sobre o assunto sexo estão “fora de época.”
O quinto principal motivo que afasta o jovem cristão da igreja é a arrogância das igrejas em relação às outras religiões. O exclusivismo imposto pelo cristianismo e o aparente menosprezo às outras crenças foi citado por 29% dos jovens. Para eles, “as igrejas têm medo da ideologia pregada por outras religiões” e sentem que têm que escolher entre seus amigos e sua fé.
O último grande motivo que afasta os jovens das igrejas é a forma hostil com que as dúvidas a respeito de Deus são tratadas, segundo o estudo. A pesquisa apontou que mais de um terço dos entrevistados afirmaram sentirem-se proibidos de questionar a igreja sobre coisas que são urgentes em suas vidas e 23% afirmaram terem “dúvidas significativas sobre sua fé”.
O presidente do Barna Group, David Kinnaman, escreveu um livro sobre os resultados obtidos pelo estudo: Você me Perdeu: Por que os cristãos jovens estão Saindo da Igreja e Repensando a Igreja, em uma tradução livre. Segundo Kinnaman, uma parte do problema está no fato de que muitas igrejas não se modernizaram na forma de transmitir o evangelho e lidar com as questões atuais, e continuam orientando no modo “tradicional” os jovens do século 21.
David Kinnaman destaca ainda uma outra importante mudança de comportamento: “a maioria dos jovens adultos já não querem seguir o caminho normal de sair de casa, após receber uma educação, encontrar um emprego, casar e ter filhos, tudo antes da idade de 30. Estes eventos de vida estão sendo adiados, reordenados, e às vezes empurrando-os para fora do contexto que as igrejas pregam como ideal”.
O estudo frisa que os jovens do século 21 são influenciados de forma significativa por grandes mudanças sociais, espirituais e tecnológicas que ocorreram no último quarto de século. “Conseqüentemente, as igrejas não estão preparadas para lidar com a ‘nova normalidade’. Em vez disso, os líderes da igreja estão trabalhando de maneira despercebida com os jovens, adultos casados, e especialmente aqueles casais com filhos. Não se dão conta que o mundo dos jovens adultos está mudando de maneira rápida e significativa, como o seu acesso fácil com o mundo e visões de mundo através da tecnologia, sua alienação de várias instituições, e seu ceticismo em relação a fontes externas de autoridade, incluindo o cristianismo e a Bíblia”, afirma o relatório do estudo.
Em outro trecho, o relatório aponta um engessamento das igrejas: “a maioria de nossas igrejas é composta de jovens de 20, 30 e 40 anos – devido a isso os nossos líderes têm a mesma mentalidade que algumas das pessoas mais jovens que frequentam a igreja e acabam tratando os mais jovens de uma maneira superficial, sem autenticidade, respondendo as dúvidas que surgem de forma inadequada, transmitindo a sensação de que as igrejas são contrárias a discussões, ciência e etc.”.
Kinnaman cita a Bíblia em uma observação: “como diz a Escritura, e acreditamos nela, Jesus está levantado os jovens para que eles o adorem, e eles também devem sentir-se atraídos por ele… por isso vamos pregar o evangelho de uma forma que eles possam participar”. Ele ainda observou que “em muitas igrejas as gerações são tratadas como hierarquias, ao invés de implantarem uma equipe de verdade, com fieis de todas as idades, cultivando relacionamentos entre as gerações”. Para David Kinnaman, o melhor seria uma mudança de metodologia: “isto é, toda a comunidade de fé, ao longo da vida inteira, trabalhando juntos para cumprir os propósitos de Deus”.
Fonte: Gospel+

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

E se Jesus fosse neopentecostal?

Se Jesus fosse neopentecostal, não venceria satanás pela palavra, mas teria o repreendido, o amarrado, mandado ajoelhar, dito que é derrotado, feito uma sessão de descarrego durante 7 terças-feiras, aí sim ele sairia. (Mt 4:1-11)


Se Jesus fosse neopentecostal, não teria feito simplesmente o “sermão da montanha”, mas teria realizado o Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte, cuja entrada seria apenas 250 Dracmas divididas em 4 vezes sem juros. (Mt 5:1-11)

Se Jesus fosse neopentecostal, jamais teria dito, no caso de alguém bater em uma de nossa face, para darmos a outra; Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre quem tivesse batido pois “ai daquele que tocar no ungido do senhor” (Mt 5 :38-42)

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado o servo do centurião de Cafarnaum à distância, mas o mandaria levar o tal servo em uma de suas reuniões de milagres e lhe daria uma toalhinha ungida para colocar sobre o seu servo durante 7 semanas, aí sim, ele seria curado. (Mt 8: 5-13)

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria multiplicado pães e peixes e distribuído de graça para o povo, de jeito nenhum!! Na verdade o pão ou o peixe seriam “adquiridos” através de uma pequena oferta de no mínimo 50 dracmas e quem comesse o tal pão ou peixe milagrosos seria curado de suas enfermidades. (Jo 6:1-15)

Se Jesus fosse neopentecostal, ele até teria expulsado os cambistas e os que vendiam pombas no templo, mas permaneceria com o comércio, desta vez sob sua gerência. (Mt 21:12-13)

Se Jesus fosse neopentecostal, nunca teria tido para carregarmos nossa cruz, perdermos nossa vida para ganhá-la, mas teria dito que nascemos para vencer e que fazemos parte da geração de conquistadores, e que todos somos predestinados para o sucesso. E no final gritaria: receeeeeeebaaaaaa! (Lc 9:23)

Se Jesus fosse neopentecostal, ele teria sim onde recostar sua cabeça e moraria no bairro onde estavam localizados os palácios mais chiques e teria um castelo de verão no Egito. (Mt 8:20)

Se Jesus fosse neopentecostal, Zaqueu não teria devolvido o que roubou, mas teria doado seu ao ministério. (Lc 19:1-10)

Se Jesus fosse neopentecostal, não pregaria nas sinagogas, mas na recém fundada Igreja de Cristo, e Judas ao traí-lo não se mataria, mas abriria a Igreja de Cristo Renovada.

Se Jesus fosse neopentecostal, não diria que no mundo teríamos aflições, mas diria que teríamos sucesso, honra, vitória, sucesso, riquezas, sucesso, prosperidade, honra…. (Jo 16:33)

Se Jesus fosse neopentecostal, ele seria amigo de Pôncio Pilatos, apoiaria Herodes e só falaria o que os fariseus quisessem ouvir.

Certamente, Se Jesus fosse neopentecostal, não sofreria tanto nem morreria por mim nem por você… Ele estaria preocupado com outras coisas. Ainda bem que não era.

Se Jesus fosse neopentecostal, não teria prendido satan, mas pisado na cabeça dele por mil anos com sapato de fogo

Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=14452493&tid=5637281225318380538&na=1&nst=1